
No início a idéia me pareceu um pouco estranha, afinal, nunca tinha andado de trem e a experiência seria, no mínimo, curiosa tanto para mim quanto para meus colegas de equipe. Porém, como futuros jornalistas, nada mais interessante do que sair da rotina e encarar um desafio totalmente novo.
O ambiente estava tranqüilo, poucas pessoas esperavam a chegada do trem, outras lanchavam em diversos quiosques (por sinal, uma mesma senhora cuidava de três ao mesmo tempo…) distribuídos pela estação, alguns cochilavam no banco, demonstrando claramente seu cansaço.
Chegando na estação ferroviária João Felipe, o primeiro passo seria escolher o destino. O nosso foi Caucaia e o percurso duraria aproximadamente uma hora. Logo de início pude perceber os mais diversos tipos de pessoas saindo e entrando no trem. Fiquei imaginando a história de vida de cada um deles e o porquê de escolherem ir de trem e não outro meio de transporte mais conhecido, como o ônibus. Fiquei com esse questionamento.
Na hora de partir rumo ao nosso destino, procurei, juntamente com meus amigos, me sentar próxima a alguém que tenha me chamado atenção. Percebi logo um senhor, que usava um chapéu preto na cabeça. Conversando com ele, descobri que tinha oitenta e três anos e andava de trem há muito tempo, é quase um patrimônio da estação! Ele se empolgava ao contar sua história e sobre tudo que já viveu ali, as pessoas que conheceu e como eram as mulheres na sua época. Cada viagem de trem remetia a um filme em sua memória..
Também conversei com uma senhora que carregava uma sacola enorme de roupas e morava em Jijoca. Ela saia de lá todo dia rumo a Fortaleza, comprava roupas e vendia em Caucaia e na sua cidade. Cada um se virando como pode, assim é o nosso país…
Na viagem de ida, as portas do trem estavam abertas e aquilo que gerou uma aflição enorme. A todo instante pensava que ia cair alguém, pois o povo é tão acostumado que fica em pé ali mesmo, inclusive um rapaz numa cadeira de rodas.
Uma figura mesmo foi um senhor que se vestia igualzinho a um cantor de brega conhecido, e conversava bastante com o tal rapaz deficiente que só faltava cair da porta (e eu agoniada em cada tremida do trem, aff!). O único problema é que se jogasse um palito de fósforo perto dele ele explodia, o indivíduo era álcool puro…(risos)
No final da viagem já estávamos descontraídos e até nos aventuramos em algumas poses na tal porta aberta. E, pra falar a verdade, nós éramos as figuras mais destoantes da estação de trem…
